quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Minha história, minha CIDADE



Estava ouvindo a Rádio CBN e fui contagiado a “contar a minha história” em São Paulo.

Vamos lá. Era dia 20 de fevereiro de 1985, uma quarta-feira de cinzas, quando eu desembarquei sozinho, no terminal rodoviário do Tietê aqui em São Paulo. Aquela volta do feriado de carnaval, em meu vocabulário goiano, era um verdadeiro “formigueiro” de gente.

Embora com apenas 19 anos e muita confiança, própria dos jovens, eu me recordo bem o impacto de ver tanta gente num só lugar. Uma cena inacreditável para uma pessoa que nasceu e cresceu numa pequena cidade de no máximo 30 mil habitantes. Impacto maior foi só quando passei pelo centro da cidade, na famosa Praça da Sé, dias depois, para tomar uma condução para meu estágio na Vila Romana, na Lapa.

Quanto dor e violência pelas ruas e praças; eu me recusava a acreditar no que via. Na metrópole, tanta solidão em meio à multidão. Indiferença, desconfiança, medo e um desconfortável e assumido silêncio em relação ao outro que estava sempre tão perto e tão longe.  

O que era pra ser uma breve passagem (apenas o tempo dos meus estudos), já se foi trinta anos. Na capital mundial da correria e das oportunidades (boas e más, como na maioria dos centros urbanos), eu aproveitei bem e me formei Teólogo e depois Professor. E, “fui ficando” por assim dizer e criando raízes. E o angustiante e silencioso grito da megalópole se transformava em mim num chamado e num lindo sonho do florescer do reino de Cristo onde há muito eu já estava, literalmente, plantado.

Morando na Vila Olímpia, e através do LEVAE – Levando o Evangelho Através do Esporte, descobri o acolhimento de uma família paulistana que me marcou para sempre. No Brooklin, e por meio da Igreja Aliança encontrei amigos, irmãos e uma companheira para a jornada rumo aos sonhos “que nunca envelhecem”.

Mas foi quando morei na região do Jabaquara (onde continuo morando até hoje), especialmente, na liderança da Igreja Aliança do Aeroporto que, definitivamente, abracei a Missão de ser “família de famílias”, uma progenitora e encantadora comunidade para toda a nossa cidade. Exatamente aqui, onde nasceram minhas filhas Isabela (15) e Giulia (13) consolidou-se minha relação de gratidão, amor e honra a cidade onde Deus também anseia habitar e transformar.

Para celebrar os 461anos da cidade de São Paulo, depois de trinta anos aqui, tenho uma única declaração a fazer: Eu Amo São Paulo!!! Aprendi mesmo a respeitar e admirar esta abençoada cidade que me acolheu e me formou. Hoje, nos meus quase 50 anos, já não saberia viver em outra parte do Brasil ou do mundo, além do que, entendo claramente (e tenho plena convicção) que foi precisamente para este tempo e lugar que Deus me escolheu.

Hoje posso dizer que sim, amo muito minha cidade, pois conscientemente escolhi abraçar e celebrar a sua beleza (caótica na maioria das vezes), sua diversidade (confusa, mas de uma riqueza sem igual) e sua produtividade criativa que influência o nosso país e as nações.

Aos amigos paulistanos, dedico este importante texto que me fez “pegar a estrada”, muito além dos quase mil e duzentos quilômetros que separam a pequenina Mineiros (no sudoeste goiano) à grandiosa São Paulo: “Deem graças ao Senhor e louvem o seu nome! Porque o Senhor é bom! O Seu amor cuidadoso e leal é eterno, e a Sua fidelidade para conosco nunca acabará.” (Sl. 100.4-5, BV).

Conhecendo e desfrutando o Deus bom e cuidadoso da jornada, conte também a sua história e a História d’Aquele que fará a nossa cidade melhor.


Pr. Zé 

sexta-feira, 26 de junho de 2009

neli freitas








"Tudo que não é eterno é eternamente inútil."
(C. S. Lewis)




Sou apaixonada pelas palavras e considero um dos maiores desafios definí-las. Não é fácil, pois elas sempre querem dizer mais do que simplesmente o que dizem as letras... Ao encontrar este texto de Adriana Falcão fiquei encantada. Sabe, um daqueles textos que de tão lindo, você pensa: "Ah, quem me dera tê-lo escrito!" Não fui eu quem escreveu, mas agradeço a Adriana Falcão por tamanha inspiração!


MANIA DE EXPLICAÇÃO

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa. Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra. As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.

  • Solidão é uma ilha com saudade de barco.
  • Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.
  • Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
  • Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
  • Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
  • Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
  • Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
  • Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
  • Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
  • Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
  • Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
  • Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
  • Renúncia é um não que não queria ser ele.
  • Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
  • Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
  • Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
  • Orgulho é uma guarita entre você e o da frente. Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.
  • Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
  • Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
  • Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
  • Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
  • Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
  • Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
  • Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
  • Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
  • Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
  • Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
  • Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
  • Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
  • Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
  • Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
  • Desatino é um desataque de prudência.
  • Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
  • Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
  • Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
  • Emoção é um tango que ainda não foi feito.
  • Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
  • Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
  • Desejo é uma boca com sede.
  • Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.
  • Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
  • Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina. (Adriana Falcão)