Estava
ouvindo a Rádio CBN e fui contagiado a “contar a minha história” em São Paulo.
Vamos
lá. Era dia 20 de fevereiro de 1985, uma quarta-feira de cinzas, quando eu
desembarquei sozinho, no terminal rodoviário do Tietê aqui em São Paulo. Aquela
volta do feriado de carnaval, em meu vocabulário goiano, era um verdadeiro “formigueiro”
de gente.
Embora
com apenas 19 anos e muita confiança, própria dos jovens, eu me recordo bem o
impacto de ver tanta gente num só lugar. Uma cena inacreditável para uma pessoa
que nasceu e cresceu numa pequena cidade de no máximo 30 mil habitantes. Impacto
maior foi só quando passei pelo centro da cidade, na famosa Praça da Sé, dias
depois, para tomar uma condução para meu estágio na Vila Romana, na Lapa.
Quanto
dor e violência pelas ruas e praças; eu me recusava a acreditar no que via. Na
metrópole, tanta solidão em meio à multidão. Indiferença, desconfiança, medo e um
desconfortável e assumido silêncio em relação ao outro que estava sempre tão
perto e tão longe.
O
que era pra ser uma breve passagem (apenas o tempo dos meus estudos), já se foi
trinta anos. Na capital mundial da correria e das oportunidades (boas e más,
como na maioria dos centros urbanos), eu aproveitei bem e me formei Teólogo e
depois Professor. E, “fui ficando” por assim dizer e criando raízes. E o angustiante
e silencioso grito da megalópole se transformava em mim num chamado e num lindo
sonho do florescer do reino de Cristo onde há muito eu já estava, literalmente,
plantado.
Morando
na Vila Olímpia, e através do LEVAE – Levando o Evangelho Através do Esporte, descobri
o acolhimento de uma família paulistana que me marcou para sempre. No Brooklin,
e por meio da Igreja Aliança encontrei amigos, irmãos e uma companheira para a
jornada rumo aos sonhos “que nunca envelhecem”.
Mas
foi quando morei na região do Jabaquara (onde continuo morando até hoje),
especialmente, na liderança da Igreja Aliança do Aeroporto que, definitivamente,
abracei a Missão de ser “família de famílias”, uma progenitora e encantadora
comunidade para toda a nossa cidade. Exatamente aqui, onde nasceram minhas
filhas Isabela (15) e Giulia (13) consolidou-se minha relação de gratidão, amor
e honra a cidade onde Deus também anseia habitar e transformar.
Para
celebrar os 461anos da cidade de São Paulo, depois de trinta anos aqui, tenho uma
única declaração a fazer: Eu Amo São Paulo!!! Aprendi mesmo a respeitar e admirar
esta abençoada cidade que me acolheu e me formou. Hoje, nos meus quase 50 anos,
já não saberia viver em outra parte do Brasil ou do mundo, além do que, entendo
claramente (e tenho plena convicção) que foi precisamente para este tempo e
lugar que Deus me escolheu.
Hoje
posso dizer que sim, amo muito minha cidade, pois conscientemente escolhi
abraçar e celebrar a sua beleza (caótica na maioria das vezes), sua diversidade
(confusa, mas de uma riqueza sem igual) e sua produtividade criativa que influência
o nosso país e as nações.
Aos
amigos paulistanos, dedico este importante texto que me fez “pegar a estrada”, muito
além dos quase mil e duzentos quilômetros que separam a pequenina Mineiros (no
sudoeste goiano) à grandiosa São Paulo: “Deem
graças ao Senhor e louvem o seu nome! Porque o Senhor é bom! O Seu amor
cuidadoso e leal é eterno, e a Sua fidelidade para conosco nunca acabará.” (Sl.
100.4-5, BV).
Conhecendo
e desfrutando o Deus bom e cuidadoso da jornada, conte também a sua história e
a História d’Aquele que fará a nossa cidade melhor.
Pr.
Zé


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